Diariamente presencio uma lastimável realidade brasileira: a desigualdade social. Passando pela Avenida do Contorno ou caminhando pelas calçadas da Avenida Afonso Penna na cidade de Belo Horizonte, é possível ver e se indignar com crianças limpando vidros de carros para ganhar um trocado, ou idosos jogados às traças nas ruas, ou ainda famílias inteiras sem ter um lugar para poder dormir.
A vitória de Lula para Presidente significou a possibilidade de mudar esse foco, trazendo a atenção de todos para a questão social. O principal programa de seu governo é o Fome Zero, que tem ganhado inúmeras críticas sobre seu desempenho. Aliás, vamos abrir um parêntese para ressaltar que o governo Lula tem sido foco de críticas sobre diversos aspectos: econômico, previdenciário...
A festa da democracia vivenciada no final do ano passado representou para as classes mais baixas a possibilidade de ascensão profissional. Já que o Presidente veio da massa pobre, que, muitas vezes, não tem um prato de comida no dia.
Um dos aspectos que merecem criticas sobre o Fome Zero é a questão da bolsa-alimentação. Pois, não basta o governo dar a cesta básica todo o mês se não propiciar a inclusão no mercado de trabalho para que estas pessoas possam ter um salário digno e sustentar a família de forma honesta.
Mas não é só a fome e o desemprego que assombram o país. O dragão que volta a atacar está tirando o poder aquisitivo das famílias brasileiras. O aluguel, a cesta básica, o transporte coletivo, o gás de cozinha, entre outros estão sofrendo com aumentos de preços devido à inflação.
Se fizermos uma miscelânea em todas essas conseqüências sociais, teremos o desemprego acentuando a falta de poder aquisitivo, que traz o despejo e, por conseguinte, a fome.
É, o Presidente Lula vai ter que rebolar para exterminar a endemia brasileira da desigualdade social. Desde que seu nome foi vinculado à esperança, sua responsabilidade de fazer um Brasil igual para todos aumentou. Porém, o povo sabe que a esperança é a última que morre, só que um dia morre!
Belo Horizonte - texto redigido no primeiro semestre de 2003